1979 – O fogo criminoso na escola José Neyde César Lessa

Em 24 de outubro de 1979 o Jornal da Republica deu a notícia de um incêndio criminoso na escola José Neyde César Lessa, colégio também conhecido como CEI. O motivo teria sido por fraude nos exames de segundo grau, ocorrido um ano antes, em setembro 1978.

A escola foi construída e inaugurada na administração do prefeito Romeu Manfrinato em janeiro de 1969. Ao longo dos anos passou a se tornar o colégio mais concorrido entre os estudantes.

Confira matéria na íntegra, mantendo a caligrafia da época.

A matéria foi escrita por Djalma Ferreira (Jornal da Republica – 24 de outubro de 1979)

O incêndio ocorrido na madrugada do último domingo na secretaria da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus José Neyde César Lessa, em Itapevi, São Paulo, foi mesmo criminoso.

Esta é a conclusão das autoridades técnicas, predispostas a ligar o incêndio com a anulação das provas de exame supletivo do 2º grau, realizadas em setembro do ano passado naquele estabelecimento. Coincidência ou não, o incêndio deu-se exatamamente três dias depois que a Secretaria de Estado da Educação, baseada em comprovação de fraude, anulou as provas.

Falando ontem à imprensa, o secretário da Educação, Luis Ferreira Martins, afirmou que, se foi essa a intenção, os criminosos deram com os burros n’água, já que as provas anuladas não se encontravam na secretaria do estabelecimento.

Teria sido também para despistar, que os incendiários, atearam fogo em outras três escolas estaduais, todas elas situadas em uma mesma região de Itapevi. Sem que tenha sido calculado o prejuízo maior, entretanto, foi o da escola José Neyde César Lessa, cuja secretaria, onde haviam máquinas de escrever, móveis, documentos e prontuários de alunos, foi praticamente destruída pelo fogo.

O DEOPS e a Delegacia de Itapevi, responsáveis pelas investigações, tentarão chegar aos criminosos levantando, inicialmente, os nomes de cinquenta candidatos que prestaram os exames. Vários deles, aliás, já haviam admitido que, pagaram “monitores” que, participando das provas, informavam, através de sinais, as respostas corretas aos candidatos.

Estas declarações constam do relatório que o secretário Luis Ferreira Martins encaminhou ao DEOPS para auxiliar as investigações que apontarão os responsáveis pelo incêndio. Estão implicados, entre outros, os “monitores” Giuseppe Coccoli, Waldemar Antonio Ursini e Gilberto Ferreira, estes dois últimos já presos anteriormente, quando tentaram fraudar os exames da faculdade de medicina do município de Londrina, Paraná.

Mesmo não querendo se manifestar, “pois isto é da alçada da policia”, o secretário da Educação não parece muito convencido de que o incêndio da escola José Neyde César Lessa seja apenas um ato de vandalismo, um velho problema para a Secretaria.

Segundo Luís Ferreira Martins, é muito comum casos de invasão, roubo, depredação e arrombamento nas escolas da rede estadual, principalmente na periferia.

Sem os mesmos cuidados do secretário, Dirceu Arruda, diretor da escola José Neyde César Lessa, além de não ter dúvidas de que os incêndios estão ligados à anulação das provas, vai mais longe, ao afirmar que “vários policiais fizeram os exames supletivos e, por isto, não me espantaria se as investigações foram boicotadas”.


A escola em 2020:

Nome: Doutor José Neyde César Lessa
Endereço: Av. Presidente Vargas, 900 – Jardim Nova Itapevi – Itapevi-SP CEP 06694-000
Tipo: Escola Estadual

Matéria publicada no Jornal da Republica, de 24 de outubro de 1979.

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