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Existe Medicina Preventiva e Diagnóstica?

A mudança de hábito e você!

Pergunta estranha essa, você há de pensar! Claro que existe medicina preventiva e, talvez, logo venha à sua mente a lista de suplementos ou remédios que toma para prevenir/evitar a pressão alta, o colesterol, a diabetes, exames rotineiros de mamografia para as mulheres ou o teste de PSA para os homens (prevenção do câncer da próstata). No entanto, nenhuma das abordagens acima realmente previnem que você, por exemplo, tenha um problema cardiovascular, um câncer, desenvolva uma doença autoimune e assim por diante.

Talvez o uso das estatinas para diminuir o colesterol “previna” uma doença do coração ou um derrame, assim como uma medicação para pressão alta também “previna” um ataque do coração. Exames de mamografia ou de sangue também podem “prevenir” surpresas como um câncer de mama ou outra doença qualquer, mas a verdade é que até aqui ainda não estamos falando em medicina preventiva. Podemos dizer que todos esses exames ou remédios que usamos não previnem as doenças que mais enfrentamos na atualidade, na verdade tais ações são muito mais paliativas do que preventivas, e o que é pior, no que diz respeito aos medicamentos, muitos são ineficazes e têm sérios efeitos colaterais, como é o caso das drogas usadas para diminuir o colesterol. Não tratamos a causa, mas sim os sintomas. Mascaramos sinais que o corpo envia para nos alertar que algo está em desalinho.

Observe que o colesterol é um hormônio esteroide responsável não somente pela formação de vitamina D, mas por uma série de outros hormônios, como a testosterona, o estrógeno, o cortisol e outros, imprescindíveis à boa saúde. Fabricado no fígado, ele é encontrado na corrente sanguínea e em todas as células do corpo, sendo indispensável à vida. Sim, se baixarmos muito os níveis de colesterol corremos risco de vida.

Não vou estender muito o tópico sobre o colesterol pois este não é o assunto de hoje, mas só para esclarecer a má reputação do esteroide colesterol, aqui vai um fato: em 2004, um painel especial composto por médicos do Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol, do governo dos EUA, aconselhou as pessoas de risco de doenças cardíacas a reduzirem o colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) para níveis muito baixos. Coincidentemente ou não, oito dos nove médicos do painel que criaram as novas diretrizes para o colesterol ganhavam dinheiro com as empresas farmacêuticas que fabricam medicamentos para baixar o colesterol.

Hoje sabemos que os verdadeiros responsáveis por diversos problemas de saúde são as inflamações, mas estas ainda escapam do radar médico. Elas são a resposta biológica complexa do corpo, quando ameaçado por agentes patogênicos, células danificadas ou irritantes. Por exemplo, se as artérias forem danificadas, a inflamação pode causar a contração dos vasos sanguíneos, o sangue pode engrossar e o dano será reparado por uma cicatriz protetora conhecida como placa. Como nenhuma célula do corpo pode se formar sem colesterol, o fígado produz mais colesterol e o libera na corrente sanguínea para ajudar a substituir as células danificadas durante a inflamação – explica o médico Joseph Mercola.

Veja que o corpo está tentando corrigir um problema que se instalou aumentando o colesterol, daí vem o homem e decide diminuir os níveis do colesterol! Mas o colesterol não é a causa do problema, e se diminuirmos a inflamação os níveis de colesterol também diminuirão. No entanto, a prática de diminuir os níveis de colesterol persiste até hoje.

O colesterol alto é uma preocupação que você não precisa ter – afirma o médico americano Dr. Mercola. Também não há razão para arriscar a saúde tomando medicamentos para baixar o colesterol. Você pode manter níveis saudáveis de colesterol e diminuir as inflamações simplesmente seguindo alguns conselhos que considero a verdadeira Medicina Preventiva. Mas a pergunta é: você está pronto para mudar seus hábitos?

Provavelmente não! Por quê? Simplesmente porque é difícil mudar hábitos e ter que se esforçar, por exemplo, para:

1- Preparar uma comida em casa e se certificar de ingerir Omega-3 de boa origem animal (carne de preferência orgânica)

2- Reduzir a ingestão de grãos e açúcares

3- Comer uma porção de alimentos crus

4- Exercitar-se

5- Manter horários saudáveis de ir dormir à noite e se levantar de manhã

6- Reduzir a ingestão de bebida alcoólica

7- Cuidar dos desafios emocionais

Fácil falar? Sim, mas para fazer justiça não posso deixar de concordar que tudo que nos rodeia no mundo atual não favorece às mudanças de hábitos. Muito pelo contrário, cada vez mais somos atraídos pela indústria alimentícia a consumir tudo que nos leva na direção oposta à saúde. Portanto, se você evitar ao máximo alimentos pró-inflamatórios e seguir as sete dicas acima estará praticando a Verdadeira Medicina Preventiva.

Alimentos Pró-inflamatórios

• Óleos Vegetais (todos) – promovem oxidação no corpo – terríveis para a saúde! Use manteiga ghee e óleo de côco.

• Alimentos processados, açúcares, adoçantes, bebidas açucaradas (sodas, coca-cola, sucos em caixinhas etc). Tome água filtrada, não de garrafinhas plásticas!

• Grãos – limite o consumo, e certifique-se de colocar os grãos de molho (12 horas) antes de cozinhar. Use panela de pressão.

• Alimentos cozidos em altas temperaturas e grelhados, torrados, fritos, “queimados” (churrasco) – produzem compostos conhecidos como AGE’s, glicotoxinas. Promovem inflamações e o estresse oxidativo. Evite!

Fácil não é, mas é possível!. Boa Saúde!

por Florence Rei, formada em Química pela Oswaldo Cruz em São Paulo, graduada pela Faculdade de Medicina OSEC em Biologia e formada em Microscopia Eletrônica. Atualmente vive na Flórida (USA) e desde 2019 vem atuando como pesquisadora independente e escritora. contato: www.florencerei.com / email: florence@florencerei.com

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