Boate Querosene, o cárcere clandestino do DOI em Itapevi

Boate Querosene foi palco de torturas e mortes pelo DOI na década de 70 pela ditadura militar.

Existem poucas informações sobre os centros clandestinos de detenção, tortura e desaparecimento que eram utilizados pela ditadura em vários estados. Poucas são as vítimas sobreviventes e os documentos oficiais inexistem. No entanto, em 18/11/1992, a Veja publicou uma entrevista com o ex-agente do CIE e do DOI-Codi, Marival Chaves, que revelou a localização de uma casa, em Itapevi/SP, utilizada como um desse centros.

Em 1974, depois que a Casa da Morte de Petrópolis (RJ) foi fechada, os militares passaram a usar outros dois centros em São Paulo. Um deles, a Boate, funcionava em uma casa em Itapevi, na região metropolitana. O apelido vinha do fato de o local ter abrigado a Boate Querosene, um bordel, fechado pela polícia em 1973, de propriedade de José Setembrino, o Zeca, que alugou um pequeno cômodo situada atrás da antiga boate ao DOI-CODI, a pedido do irmão, o então subtenente Carlos Setembrino, o Carlão.

A casa contava com salão, cozinha e uma sala, além desta pequena construção aos fundos com características de uma cela improvisada.

Palco de execuções e operações secretas, apenas dois prisioneiros saíram vivos sem que fossem transformados em informantes. Neste local se costumava, segundo agentes do DOI – CODI (Destacamento de Operações Internas – Centro de Operações de Defesa Interna), matar presos com injeção letal.

Marival Dias Chaves do Canto trabalhou no DOI-Codi e no Centro de Informações do Exército (CIE). Deixou as Forças Armadas em 1985, no início da redemocratização do Brasil, para se aposentar

Foi assim o que ocorreu com o integrante do Comitê Central do PCB Hiram de Lima Pereira. Ele foi preso pela Seção de Investigação em janeiro de 1975, na zona norte de São Paulo. As ações do DOI seriam determinantes para a morte de 79 pessoas.

As informações sobre a Boate foram reveladas pelo ex-sargento Marival Chaves, que trabalhou no DOI, e confirmadas por outros dois agentes.Na Boate Querosene foram torturados e mortos mais sete integrantes do Comitê Comunista Brasileiro (PCB). A exemplo de Petrópolis, os corpos foram retalhados, amarrados em blocos de cimento e jogados em um rio, na região de Avaré.

Sangue. “Vi muito sangue da esquerda correr”, disse o ex-sargento, que fazia relatórios com o conteúdo dos interrogatórios dos presos mantidos clandestinamente em Itapevi. Foi ali que os militares conseguiram um de seus maiores trunfos contra o PCB: transformar um militante no agente infiltrado Vinícius, que atuou entre 1974 e 1982.

Dirigentes assassinados na Boate Querosene em Itapevi.

Dirigentes assassinados na Boate Querosene

Identificação

Nome: Casa de Itapevi (Boate Querosene)

Endereço: Estrada da Granja, 20, Chácara Santa Cecília, Itapevi, SP.

Aberto à visitação pública: Não.

Fontes utilizadas: Memorial da Resistência ; Relatório da Comissão Nacional da Verdade, em 7 de abril de 2014, em São Paulo; e Itapevi Agora, de 12 de abril de 2014 .

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